*Por Rafael Alves Baracho

Você conhece a expressão “motivação tipo gás de refrigerante”?

Já viu aquela palestra da qual você sai extremamente motivado com tudo que ouviu? Faz vários planos acreditando que encontrou a resposta para todas as suas dúvidas e inquietações? Tudo isso em duas horas de fala de um palestrante!

Mas depois de uma semana…

Aquela motivação “passou” e você não faz mais nada daquilo que tinha planejado.

Essa é a motivação tipo gás de refrigerante aberto: dura pouco… Logo acaba. E costuma ser assim porque é um estímulo que vem de fora, como um modelo imposto, algo artificial e padronizado, que muitas vezes não toca de fato o perfil motivacional específico de cada pessoa.

As ciências que estudam a mente e o comportamento humano buscam entender cada vez mais o que motiva as pessoas genuinamente, intrinsecamente, de dentro para fora. Desejam descobrir como DESPERTAR a motivação das pessoas e não simplesmente INJETÁ-LA como se fosse um remédio único que servisse para todos.

Tamara Lowe, educadora e empresária, em oito anos de pesquisa e mais de dez mil voluntários entrevistados desenvolveu sua teoria sobre perfis motivacionais e afirma: cada um de nós se motiva por princípios diferentes (Supermotivado, 2010).

O que te faz iniciar uma determinada atividade e se manter nela por um longo período de tempo? Você conseguiria listar quais os fatores que verdadeiramente te motivam? Gostaria de identificar isso naquele ente querido sedentário e ajudá-lo a investigar seu perfil de motivação? Isto poderia ser fundamental para a adesão dele a uma prática de atividade física regular, por exemplo…

Então vamos iniciar escolhendo uma das duas frases que se seguem:

  • Gosto de estabelecer redes de contato fortes e valorizo o relacionamento interpessoal mais profundo.
  • Foco mais em minhas metas e conquistas valorizando os resultados objetivos de meu esforço.

Sei que muitos poderão pensar: “mas a gente sempre tem um pouquinho das duas…”. Sim, mas avalie sua maior tendência. Aquilo que vem primeiro à sua mente ao ler as frases. Qual delas se adéqua melhor a você?

Perceba que refletir sobre as perguntas acima pode ser fator importante na escolha entre uma aula coletiva ou uma atividade mais individual e competitiva, no caso de estarmos em dúvida sobre qual atividade física realizar.

E existem outras perguntas que podemos nos fazer para conhecer melhor nossos desejos e motivações:

  • O que gostava de fazer quando era criança? Do que mais pedia para brincar?

Pensar sobre estes pontos nos coloca em contato com um momento inicial da vida em que a espontaneidade prevalecia. Em que agíamos de maneira muito mais livre e autêntica. Porém, quando vamos crescendo, há um bombardeio de influências, muitas boas, outras nem tanto. Padrões nos são impostos e nossos desejos e gostos muitas vezes são moldados, modificados…ou anulados. E como me sentir motivado a realizar algo que na verdade eu não desejo? Que é totalmente diferente do meu real perfil motivacional?

É pensando nisso que incentivamos as pessoas a descobrirem o que de fato as motivam e a construírem, sempre que possível, uma rotina que desperte esta motivação e que a alimente sempre. Pequenos ajustes no planejamento dos estudos de um concurseiro, no tipo de treino de um atleta, na maneira de programar a sua dieta, por exemplo, podem ser determinantes para o alcance de metas, pois podem facilitar a ativação e a manutenção deste estado de engajamento.

Quando entendemos melhor nosso próprio funcionamento ficamos mais próximos de atingir nossa melhor versão!

Pense nisso! 🙂

*Rafael Alves Baracho – Terapeuta Cognitivo-comportamental na ÁGAPE Psicologia – Centro de Terapia Cognitivo-comportamental