*  Por Geovana Fernandes

Como saber se está na hora do seu filho fazer musculação?

Muitos pais ficam preocupados quando os filhos falam que querem ir para a academia. Surgem diversas dúvidas e medos como, por exemplo, se o treinamento pode interferir na estatura da criança; se pode haver lesões; qual idade é ideal para começar tal exercício, entre outras inseguranças que procuraremos esclarecer a seguir.

MUSCULAÇÃO NA INFÂNCIA, MITOS E VERDADES!

Nos tempos atuais há uma grande apreensão com o futuro da sociedade mundial. O American College of Sports Medicine (ACSM, 2010[i]) pronunciou-se sobre a importância dos jovens serem motivados a adotar um compromisso vitalício com as atividades físicas e, com isso, num futuro próximo, reduzir de forma significativa os custos com assistência à saúde, contribuindo para uma melhora na qualidade de vida.

Mesmo assim, ainda há um mito que perdura dentre os leigos e alguns profissionais da área que tentam, por desconhecimento, afastarem as crianças e adolescentes de alguns tipos de atividades físicas, principalmente do treinamento de força. Estas pessoas confundem exercícios de força com fisiculturismo ou levantamentos olímpicos que, embora envolvam força muscular, podem ser trabalhados de forma literalmente diferentes[ii].

Afinal, o que é treinamento de força?

O treinamento de força é definido como o uso de métodos de resistência para aumentar a capacidade para exercer ou resistir à força. No treinamento pode-se utilizar pesos livres, o próprio peso do corpo do indivíduo, máquinas, bandas elásticas ou outros dispositivos de resistência para atingir esta meta[iii].

Alguns profissionais, de forma empírica, tentam correlacionar exercícios de força com problemas de desenvolvimento ósseo em crianças. Este risco já foi desmistificado pela Associação Nacional de Força e Condicionamento, pela Sociedade de Medicina Desportiva e pela Academia Americana de Pediatria, que defendem que o exercício físico e também o treinamento de força além de não prejudicarem, podem beneficiar crianças e adolescentes quando seu programa for bem desenvolvido e supervisionado por profissionais capacitados[iv].

Crianças e jovens apresentam mais rigidez e resistência óssea. Sendo assim, é importante enfatizar que todo programa deve ser desenvolvido levando sempre em consideração a idade biológica, as maturidades físicas e psicológicas – mais do que a idade cronológica, – para que os praticantes ou atletas possam ajustar-se de forma homogênea às mudanças que ocorrerão em seus corpos. Por isso é necessário um profundo conhecimento do profissional sobre duração, intensidade, frequência e recuperação no treinamento para que, futuramente, estas crianças e adolescentes não venham sofrer graves danos em seu sistema musculoesquelético[v].

O treinamento de força (TF) também é discriminado quando realizado por faixas etárias menores que, por afirmativas infundadas, sugerem que este pode vir a prejudicar no crescimento ósseo de crianças. Porém, quando se procura nas evidências, não se encontra nenhum estudo que confirma correlação entre o Treinamento de Força e lesões ósseas ou qualquer tipo de complicação no crescimento de crianças e adolescentes.

Na próxima semana, acompanhe a continuação desse artigo e saiba com qual idade seu filho deve começar a musculação?

[i] (ACSM (American College of Sports Medicine). Diretrizes do ACMS para os Testes de Esforço e sua Prescrição. Guanabara. 2010.)

[ii] (Braga, F. Programas de Treinamento de Força para Escolares sem uso de Equipamentos. Ciência E Conhecimento: Rev. Ele Ulbra. Vol. 3. p.1-8. 2008.)

[iii] (McCambridge TM, Stricker PR. Strength training by children and adolescents. American Academy of Pediatrics Council on Sports Medicine and Fitness. Pediatrics 2008;121(4):835-40.)

[iv] (Mccambridge, T. M., e Colaboradores. Strength training by children and adolescents.Pediatrics. Vol. 121. Núm. 4. p. 835-840. 2008.)

[v] (Shanmugam, C.; Maffulli, N. Sports injuries in children. British Medical Bulletin. Vol. 33. Núm. 86. p.33-57. 2008.)

*Geovana Fernandes, CRN9 22302 – Nutricionista, Graduanda em Nutrição Esportiva e Funcional VP